5 de jan. de 2020

Face do mundo

a face do mundo
ha anos
me persegue
em palavras de desconforto
nao existe musica
para ouvidos surdos
no mundo real
toda noticia é um ruido
um estrondo
nao ha tevê muda que impeça
a rachadura das paredes
de levar ao dia
em que o teto de vidro
cairá sobre a sua cabeça...

não ha hiato
entre as perolas do rosario
pra calar a insonia
de alguem que ve
a face do mundo

as lixeiras reviradas por gente,
nao cachorros, nao aves...
maos despolidas limparão as privadas
e fecharão as cortinas
mas não ha fronteira capaz
de filtrar a poeira...
dos corpos afogados, ou das terras queimadas.

nao ha discurso que segure
a sujeira do mundo
do lado de fora
da sua casa.

ha dias que me assombro
com os olhos esbugalhados
de um preto doente
no meio da africa
selvagem e faminta...

a cor da vida é escura
como uma noite de caça
os dentes da verdade, nunca vao sorrir
mas rasgam o animal pequeno
que foge pra sua toca...

nao ha riso
a nao ser o da hiena
roubando comida.

10 de dez. de 2019

Pontuar

será que não falta uma
preposição mais adequada
ainda que viesse após
um silencio
de tamanho certo?
um pronome obliquo,
pra encurtar o drama...
ou um sorriso,
mais quieto?
ou ainda pura ausencia
a retirada, a ida
uma reticencia partida.

26 de nov. de 2019

Aonde

não se perca em caminhos vaos
um passo na direçao errada
desvia uma odisseia
se perde uma jornada

Achado

me esbarrei numa coisa
meio linda meio estranha
achei parece...
que me viu mais do que eu vi.
que me achou mais do que eu...

Reação

tentando segurar paredes
do mundo que desmoronava
tentando aparar com as mãos
a tempestade das proprias lagrimas...

Comentario

se me permite enlouquecer
por um momento
vou cuspir coisas que perdi
entre sentimentos atrasados...
minha opinião estrangulada
por vezes me cala
sabe, não tenho o timing
da sinceridade
embora sempre a note passar.

A ti mesma

ainda procuro
e parece sem fim 
o estado primario de mim

Luto de relacionamento

como se abre a boca pra beijar alguém?
não lembro...
minha voz não aprende nenhum nome
minha garganta sedenta
nada mais engole
os dentes escondem a língua
que não quer conhecer outra coisa
algo junta meus lábios
fechando a boca
me faz encerrada

(fevereiro de 2019)

25 de nov. de 2019

Aupair

procuro a leitura correta
da comunicacao existente
entre mensagens de texto
esbarroes no corredor
sinais de cabeca e sorrisos polidos
e coisas que se movem pela casa...
recolho do meio da bagunça
fragmentos de palavras
que nao sao silabas nem fonemas
mas cuspes de significado
aos pedacos
que se confundem em particulas de poeira
folhas secas
e celulas mortas
o silencio que alguem exorcizou
mas secou da agua benta
a ultima gota
do que deveria ser brindado
procuro escutar
no gemido das madeiras
quando ela caminha pela casa
quais pensamentos tem
sobre os vestigios da minha presença
no mundo sagrado dos seus filhos...
teria um hiato na palavra ciume?
no sotaque chiado
de uma lingua estrangeira
talvez apenas relevasse os ecos
de uma neurose envergonhada

13 de nov. de 2019

My home has found me

I see you coming with your backpack
to meet me
I see you coming from faraway
to me me... to be my home...
you're a bit cold, but keep a beautiful and brightening eyes
and a shy, happy and hard to hold smile
you are walking slowly, look a bit hesitant...
it's a new path...
you are the sweetest thing I've ever seen.
from faraway you look a bit like a child walking without a certain destination
but when you finally come close and show me the tiny flower you've brought for me
I realize that I'm also a child
who doesn't know exactly where to go
Thank you for chosing me to go with.

Face do mundo

a face do mundo ha anos me persegue em palavras de desconforto nao existe musica para ouvidos surdos no mundo real toda noticia é um...